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Artigo de opinião

A força de um programa de desenvolvimento
24/04/2013 00:00
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A FORÇA DE UM PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO

Guilherme Henrique Pereira*


Promover o desenvolvimento, gerar empregos e rendas para todos e em todas as regiões significa estimular os investimentos. É para essa finalidade que os governos se voltam quando formulam suas políticas e criam mecanismos que influenciam a manutenção do fluxo de investimentos em nível elevado. Essa é a função típica de uma agência de desenvolvimento. Aqui, em nosso Estado, funciona desde 1967 o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S/A.

Incentivar o investimento, público e privado, é uma ação de política governamental, necessariamente parte importante de um programa de governo, seja da União, do Estado ou do Município. Para cumprir seus objetivos de forma eficiente, tais ações precisam de abrangência em várias dimensões. Este aspecto, tem impactos importantes no planejamento de uma agência de desenvolvimento. Para cumprir bem o seu papel, ela terá que se planejar como uma instituição de natureza multiescalar. O financiamento dos investimentos dos micros e pequenos negócios, o financiamento da inovação, o financiamento dos negócios de portes médios e grandes, com os devidos recortes regionais e de articulação de investimentos complementares de cadeias produtivas, são escalas operacionais de uma agência que certamente exigirão volumes de recursos e metodologias diferenciadas.

Temos a certeza de que os capixabas podem se orgulhar da inteligência organizacional aqui existente, responsável pela construção de um modelo próprio para estimular o desenvolvimento local utilizando-se do crédito como ferramenta.

As características marcantes desse modelo são a concessão do crédito articulada com a assistência técnica e gerencial, por um lado e, por outro a capilaridade para atender a todo público alvo, localizado nas áreas urbanas e também nas mais distantes zonas rurais. Este desafio não pode ser vencido por uma única instituição. Requer muitos profissionais com especialidades diferenciadas. Por isso é muito caro e complexo de ser gerenciado. A solução encontrada foi a construção de parcerias, nas quais cada instituição de acordo com sua especialidade e possibilidades de assumir custos arca com uma parte do desafio. A articulação, hoje consolidada, conta com os seguintes participantes estruturadores: o Sebrae se responsabilizou pela assistência técnica e gerencial; profissionais autônomos ficam com a tarefa de elaboração do projeto necessário; para a faixa de até R$ 15 mil, as Prefeituras Municipais mantêm a rede de agentes de crédito e o Banestes opera o financiamento; o Bandes concede o financiamento para projetos rurais e os casos na faixa de R$ 15 mil a R$ 200 mil; além disso, com apoio da Aderes, o Bandes tem a responsabilidade de supervisionar e treinar toda a rede de consultores e agentes de crédito.

Em 2012 foram aprovadas 25.804 operações que correspondem à expressiva soma de R$ 304 milhões. Números tão significativos só foram alcançados porque durante os últimos anos consolidou-se uma parceria entre os principais agentes do desenvolvimento local – Bandes, Banestes, Sebrae, Aderes e prefeituras – e cerca de 329 agentes e consultores de crédito que tornam realidade o crédito para quem mais precisa e gera empregos nas regiões mais distantes dos grandes centros urbanos.

É Importante registrar que a política de desenvolvimento em curso também opera em outras escalas que serão muito reforçadas com o Proedes, a nova política de desenvolvimento do governo estadual.

*Doutor em Ciências Econômicas e Diretor de Crédito e Fomento do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S/A.